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A FLOR MAL-HUMORADA

Era uma vez uma flor

Que estava de mau-humor

Só porque estava num vaso

E era um pequenino vaso.


“Como é que eu posso viver

Num vaso pequeno assim?

Será que ninguém me vê?

Ninguém tem pena de mim?

Assim não posso crescer,

Eu quero ir pro jardim.”


O vaso ouvia calado

Fingindo não fazer caso.

Ele sabia que as flores

Duravam menos que os vasos…


De repente, por acaso,

Numa longa pirueta,

Entrou uma borboleta

E sem querer criou um caso,

Pousando em cima da flor

Que estava em cima do vaso.


Amarela branca e preta,

A borboleta era linda,

Mas a flor que era vermelha

Ficou mais vermelha ainda.


“Sai de cima de mim,

Já estou cheia de problemas!

Sai de cima de mim!

Será que ninguém tem pena?”


A borboleta, assustada,

Voou e pousou no chão.

Aí, foi então que o vaso

Começou a discussão:


“Sai de cima de mim,

Sua mal agradecida!

Tratando tão mal assim

Uma borboleta linda.

Vai, sai de cima de mim,

Sua mal agradecida!”


A flor ia responder,

Mas não teve tempo, não.

A  mesa, batendo o pé,

Aumentou a discussão:


“Como falam vocês dois!

Que florzinha mais vaidosa!

E esse vaso, ora, pois pois,

Tanto peso me desgosta.

Saiam já, todos os dois

De cima das minhas costas!”


“Eu não peso quase nada,

Sou um vaso bem pequeno.”

”É mesmo, ele é bem pequeno,

Mas pesa uma tonelada”

“É mentira, isso é veneno

Dessa flor mal-humorada”

“A flor é que pesa menos,

Sou eu que não peso nada.”


A  mesa, batendo um pé,

Ficou contando até dez:

“1 2 3 4 5 6 7 8 9 e ”…


Então notou que seus pés

Estavam em cima do chão,

Que estava em cima da terra,

Que rodava em cima de nada,

E que ficou como estava:

Ficou calada.


E o silêncio da terra

Teve tamanha beleza

Que, atravessando o chão,

Subiu pelos pés da mesa,

Passou pelo vaso e então

Foi chegando até a flor,

Que foi ficando mais calma.

E foi em silêncio e calma

Que a borboleta voou

E calmamente pousou.

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