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DIFERENTE PRA CHUCHU

a Antônio Peticov *

Uma borboleta é igualzinha a um bem-te-vi

Uma joaninha é a mesma coisa que um tatu

Um boto-rosa, um elefante, um jabuti

É a mesma coisa que uma onça-preta

Ou um sapo-cururu...

Mas a mulher e o homem...

Os dois são bichos diferentes pra chuchu.


Uma cotia enxerga o mesmo que um quati

Que uma paca, um caranguejo, um canguru

Uma girafa, um percevejo, um javali

Enxergam o mesmo

Que uma macaca e uma surucucu...

Mas a mulher e o homem...

Enxergam coisas diferentes pra chuchu.


Se um papagaio fica de papo com um peru

E chega um galo, um cão, um gato, um boi zebu

O currupaco fica igualzinho ao glu-glu-glu

Ao cócórócócó

Ao au-au-au, ao miau e ao mú-ú-ú...

Mas a mulher e o homem...

Falam línguas diferentes pra chuchu.


A matéria-prima pra fabricar um colibri

É igualzinha, dá pra fazer um urubu

Mesma farinha, só muda o jeito de medir

Uma andorinha

Um assum-preto ou um uirapuru...

Mas a mulher e o homem...

São farinhas diferentes pra chuchu.


São farinhas diferentes

Falam línguas diferentes

Enxergam coisas diferentes

São dois bichos diferentes

Pra chuchu.


* O mote  desta canção vem lá do final dos anos 1960, época em que morei em  Sampa, trabalhando no Oficina, na montagem de "Na Selva das Cidades".  Estávamos eu e o Peticov esperando o elevador, no edifício Copan, e ele  começou a desabafar e contar que a namorada havia acabado de acabar com  ele, e arrematou a confidência com um comentário inesquecível, mais ou  menos assim: “Um elefante é igual a uma zebra e um morcego é igual a uma  tartaruga. Mas a mulher é o homem são completamente diferentes”.


Os  animais podem ter sido outros, mas a essência da formulação era esta. O  que me levou, recentemente, a compor o “Diferente pra Chuchu” — que só  poderia ser dedicado ao autor do comentário, um pintor paulistano que  nunca mais encontrei, e que, quem sabe?, talvez também se recorde do  episódio.

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