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LOSANGO DE SANGUE (ANTENOR, O IMPERADOR)

O Antenor era um tenor

Amordaçado pelo amor

Da Beatriz, a bela atriz

Que era a triste imperatriz


E o imperador era o Antenor

Atormentado pelo ator

Um barítono, um tal de Ary

Que era o barão, um tubarão


Devorador do coração

Da impetuosa imperatriz

Que diz que adora o imperador

Mas gosta mesmo é do algoz.


E as três personas teatrais

E os três intérpretes reais

Somam triângulos de amor

Criando um losango de dor


Que antagoniza muito mais

O Antenor do que os demais

E funde e confunde o ator

Com o personagem que ele faz.


E o baratina do Antenor

Ao atinar que vai perder

A Beatriz para o barão

Se arma e arma uma armadilha


Atrai os traidores e aí

Pou! pou! pou! – atira no Ary

Mas não são tiros de opereta

Pois não são de pólvora seca


E depois mira em Beatriz

Mas, por um triz, dá para trás

E volve o cano do revólver

Para si próprio e – pou! – dispara.


Vendo no chão sua paixão

A infeliz imperatriz corre

Para o Barão, mas Beatriz

Socorre mesmo é pobre Ary


E,ao perceber que o bangue-bangue

Foi de verdade, e o sangue é sangue

Abre o berreiro, em comoção

Por tão tamanha aberração.


E é só então que o Antenor antena

Todo o teor do teorema

E vê que os ciúmes que abrigou

É que o obrigaram a tal cena:


Tanto o ciúme real, pelo Ari

Como o teatral, pelo Barão.

E ali, finalmente, sua mente

Se ilumina e ele,então, atina


Que o ciúme é quem domina

E dita o rumo das ações

E das paixões dos corações.

E é quando alguém desce a cortina


Sob os aplausos da plateia

Que nem de longe faz ideia

De que a tragédia continuou

Quando a cortina se fechou.


É: a tragédia não acabou

Quando a cortina se fechou.

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