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O BAR DO OUTRO LADO

Quando eu entro
Naquele supermercado
Que já foi um cinema
Tenho a impressão que sou 
Um personagem 
No meio de um filme
Que não termina bem,
Numa cidade-armazém:
Quarteirões de pacotes gigantes
Paredões de embalagens
Prédios de enlatados
E o meu personagem cansado
Não encontra alí
Nenhum pedaço do Poly.
E o personagem quer fugir
Para um chope gelado    
Num bar que ainda tem por ali 
No largo
Um bar que não foi derrubado.

Vi muito filme no Poly

E ali onde não há mais

Lamas, bebi
Muito chope gelado.

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