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RENATO
ROCHA
SAMBA PRESO
Ainda é cedo.
No céu atrás dos montes
No arvoredo
Ainda é ontem
Ainda é cedo.
O horizonte
É um quadro-negro.
Ainda é cedo
Pra nós que mantivemos
O fogo aceso
Que defendemos
O grande enredo
E, na garganta, temos
Um samba preso.
Não é pra nós, ainda
A linda luz do sol da utopia
Aquela que um dia
A esperança encontraria.
A última que morreria.
O que é pra nós
É a pia suja da entropia
É a dita cuja distopia
Do que em nós
Melhor resistiria
Que é o que dá voz
À nossa poesia.
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