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SAMBA PRESO

Ainda é cedo.

No céu atrás dos montes

No arvoredo

Ainda é ontem

Ainda é cedo.

O horizonte

É um quadro-negro.


Ainda é cedo

Pra nós que mantivemos

O fogo aceso

Que defendemos

O grande enredo

E, na garganta, temos

Um samba preso.


Não é pra nós, ainda

A linda luz do sol da utopia

Aquela que um dia

A esperança encontraria.

A última que morreria.


O que é pra nós

É a pia suja da entropia

É a dita cuja distopia

Do que em nós

Melhor resistiria

Que é o que dá voz

À nossa poesia.

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