RENATO
ROCHA
TRAPEZISTA
com Tita
Eu além de operário
Sou também um trapezista
Pois só vivo pendurado
Pelo trem e o prestamista.
Os meus vales já são tantos
Que mais dia, menos dia
Com o papel das minhas contas
Abro uma papelaria
Sou também um prestamista
No sentido mais contrário
Pois trabalho um mês à vista
E é tão pouco o meu salário
Que parece prestação.
Com perdão da anedota
Como posso puxar samba
Tendo assim tão pouca nota?
Bem pior que um trapezista
É um trapezista enforcado
Eu até fiz uma rifa
Da aliança de noivado
E o meu cordão de ouro
Que o meu pai tinha me dado
Me dei mal, joguei no touro
E o touro não deu nem cercado.
Já faz tempo que não bebo
Que não jogo mais, nem fumo.
Cada vez o meu emprego
Dá mais casca e menos sumo.
Minha sina é a o do sino:
Pouca nota e pendurado
E trabalha até domingo
Dia santo e feriado.
Até fui apelidado
De cabide pelo povo
Um cabide abandonado
Por quem tem paletó novo.
Trago tudo pendurado
A amada no coração,
No prego o meu violão
No morro o meu barracão.