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TRAPEZISTA

com Tita

Eu além de operário

Sou também um trapezista

Pois só vivo pendurado

Pelo trem e o prestamista.

Os meus vales já são tantos

Que mais dia, menos dia

Com o papel das minhas contas

Abro uma papelaria


Sou também um prestamista

No sentido mais contrário

Pois trabalho um mês à vista

E é tão pouco o meu salário

Que parece prestação.

Com perdão da anedota

Como posso puxar samba

Tendo assim tão pouca nota?


Bem pior que um trapezista

É um trapezista enforcado

Eu até fiz uma rifa

Da aliança de noivado


E o meu cordão de ouro

Que o meu pai tinha me dado

Me dei mal, joguei no touro

E o touro não deu nem cercado.


Já faz tempo que não bebo

Que não jogo mais, nem fumo.

Cada vez o meu emprego

Dá mais casca e menos sumo.

Minha sina é a o do sino:

Pouca nota e pendurado

E trabalha até domingo

Dia santo e feriado.


Até fui apelidado

De cabide pelo povo

Um cabide abandonado

Por quem tem paletó novo.

Trago tudo pendurado

A amada no coração,

No prego o meu violão

No morro o meu barracão.

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